Empresas podem se beneficiar com a data, mas vão precisar entregar rentabilidade e não apenas volumes

 As ações de varejistas passaram por maus bocados nos últimos tempos – algumas mais do que outras – impactadas pela piora no quadro inflacionário brasileiro e também por resultados piores que o esperado no terceiro trimestre. Agora, investidores se perguntam se a tão aguardada Black Friday seria capaz de dar algum alento a essas empresas, levando a uma recuperação dos papéis penalizados nas últimas sessões.

“A Black Friday pode dar um impulso, mas não vai ser capaz de recuperar o tombo que essas ações tiveram no ano”, afirma Waldir Morgado, sócio do Nexgen Capital. Seria querer demais que uma única data fosse capaz de reverter as perdas acumuladas de alguns desses papéis ao longo de 2021, sendo que alguns caíram mais de 60% no período.

A exceção foi o chamado “varejo de alta renda”, que acumula saldo positivo, indicando que a inflação impactou menos o poder de compra do consumidor com maior poder aquisitivo.

Para os analistas, a expectativa é que a Black Friday deste ano também tenha uma maior participação das classes A e B e seja marcado por compras mais “racionais”. “Não acho que vai ser uma data que vai frustrar o varejo, acredito que não vai ser muito diferente do histórico de faturamento”,  afirma Angelica Marufuji, analista de renda variável da Meraki Capital.

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) calcula que a Black Friday deve movimentar R$ 3,93 bilhões este ano. Mas ainda que o número represente um aumento de 3,8% em valores nominais, ao descontar a inflação de 10,67% acumulada em 12 meses até outubro, o resultado implica em uma queda de 6,5%.

Mas, independentemente de volumes vendidos, é a rentabilidade que vai fazer a diferença na percepção do investidor, explica Eduardo Rebouças, sócio da Helius Capital.

“Rentabilidade era um assunto pouco falado até este ano. A intenção era só crescer em volume de vendas. Agora, se for só volume com rentabilidade ruim, o mercado não vai gostar. Se for um volume menor, mas com rentabilidade boa, o mercado gosta”, afirma Rebouças.

Pressão por frete grátis

Rentabilizar as vendas, porém, não vai ser uma tarefa simples para as varejistas na Black Friday deste ano. Morgado, da Nexgen, diz que as margens das empresas tendem a ser pressionadas, a começar pela inflação dos custos logísticos. “Com o aumento de combustível, o frete para entrega está mais caro, o que gera uma pressão sobre a margem dessas empresas”, explica.

Por outro lado, pesquisas apontam que o frete grátis é um dos principais critérios de compra dos consumidores na data. “E é a empresa que vai ter que arcar com isso porque o frete é grátis para uma das pontas só”, afirma Rebouças, da Helius Capital.

A entrega gratuita virou diferencial dentro de um mercado cada vez mais competitivo. Empresas de Market Place como Mercado Livre e, mais recentemente, Shopee, têm subsidiado a entrega de seus vendedores para ganhar market share.

Angelica Marufuji, da Meraki, ressalta, por outro lado, vantagens para as empresas que trabalham principalmente com estoques próprios (1P) em detrimento do market place (3P).

Fonte

www.infomoney.com.br

Por Mitchel Diniz

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